quarta-feira, 26 de novembro de 2008

wood carving and the history of a family in Ouro Preto


Histórico
Acredita-se que foi o bandeirante Antônio Dias o construtor da primitiva capela de taipa, logo no início da instalação do primeiro arraial, em 1699. Em 1707 já existia essa capela, a primitiva Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Era a Matriz Velha da Conceição, muito maior do que sua contemporânea, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Há documentos datados de 1727 e 1729, comprovando o enterramento de escravos. De acordo com a tradição as Matrizes estavam voltadas para a rua Direita que, ao contrário do que se pode pensar, é uma rua torta, é na realidade "direta". Atualmente a antiga rua Direita chama-se Bernardo de Vasconcellos. Em 1727, Manuel Francisco Lisboa é encarregado de elaborar o projeto da nova Matriz. Esta grande igreja é uma das mais importantes de Ouro Preto, não só pelas suas proporções, como pela sua qualidade arquitetônica, incluída ai a esplêndida ornamentação interior. A atribuição do projeto a Manuel Francisco Lisboa baseia-se principalmente na "Memória que se lê no respectivo livro de registro de fatos notáveis estabelecido pela ordem régia de 20 de julho de 1782", segundo Rodrigo José Ferreira Bretas - Traços Biográficos do Finado Antônio Francisco Lisboa, publicado pelo "Correio Oficial de Minas", em 1858, na Revista do Arquivo Público Mineiro, Vol. 1 em 1896 e nas Publicações do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nº 15, Rio, 1951. A Memória acima referida é o depoimento do 2º Vereador do Senado da Câmara de Mariana, José Joaquim da Silva, contemporâneo da época das grandes construções em Ouro Preto. O depoimento do vereador, transcrito por Bretas, é confirmado pelos documentos que se vão descobrindo de modo que tanto Silva como Bretas tornam-se fontes fidedignas de informação. Manuel Francisco Lisboa, além de traçar o projeto, foi o arrematante das obras, e seu nome figura em pagamentos, feitos por diversos trabalhos até 1742. É de supor que, em meados do século XVIII, a igreja já estaria terminada, no que respeita as obras de alvenaria, cobertura, soalhos, forros, esquadrías, enfim os componentes arquitetônicos básicos.

Durante todo o século XVIII e inicio do século XIX, estenderam-se os trabalhos relativos à ornamentação interior. Há pouca documentação com referência a esses trabalhos. Sabe-se com segurança que entre 1760 e 1765 Filipe Vieira, entalhador, foi pago por trabalhos de talha na capela-mor. Quanto à fachada, há notícia de que em 1794 já estaria arruinada, e que foi reconstruída no século XIX. Alguma influência neoclássica ter-se-á manifestado nessa reconstrução, mas não chegou a alterar substancialmente a obra original. Bazin é de opinião que o frontispício se teria tomado "uma evidente imitação neoclássica da igreja do Carmo da mesma cidade". Ora, o projeto do Carmo deve-se ao mesmo autor da Matriz de Antônio Dias: Manuel Francisco Lisboa. Nada mais natural que o autor tivesse utilizado, em 1766 (Carmo), o mesmo esquema de composição, inclusive o frontão e o arqueamento central do entablamento e até o medalhão linear traçado no corpo do frontão. Seja como for, não devemos lamentar as eventuais imperfeições da obra reconstruída, desde que não houve prejuízo da volumetria, nem perda da unidade. Em 1949 o então DPHAN (Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) iniciou a remoção da repintura dos elementos da nave, feita no século XIX, sem que tenha concluído esse trabalho. A partir de meados de 1980 o IEPHA-MG, realizou um trabalho considerável de conservação interessando diversas partes da obra, como telhado, forros, pisos, pintura, rede elétrica, rede hidráulica, inclusive chafarizes, entre outros serviços. Esse trabalho de capital importância interveio oportunamente, de vez que o monumento estava já em vias de deterioração, por simples abandono e incúria dos responsáveis. Entre outras glórias da Matriz de Antônio Dias está o fato de ter nascido, vivido, trabalhado e morrido na paróquia de Antônio Dias, o maior artista do Brasil: Antônio Francisco Lisboa. Tanto ele como seu pai, o arquiteto da Matriz, estão enterrados na velha e ilustre igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Permanecem, hoje ainda, resquícios da rivalidade entre as duas paróquias, a de Antônio Dias e a de Ouro Preto, na qual a Matriz é Nossa Senhora do Pilar. Rivalidade que remonta à luta entre Paulistas e Emboabas, brasileiros de Antônio Dias, a primeira fundação e portugueses do Pilar. A Matriz da Conceição permanece com os fumos e glórias do passado, um dos monumentos mais importantes do Brasil.

Descrição
A igreja localiza-se após uma longa descida, de quem vem da praça Tiradentes, pela antiga rua Direita. Chega-se pelos fundos do monumento, até chegar à fachada que é voltada para antiga região de lavras. Cercada por uma moldura de casas simples, já deixados para trás as casas fidalgas como a de Gonzaga. O casario baixo valoriza e dá escala monumental à massa imponente da Matriz. O acesso é limitado por uma grade de pouca altura, limitando o adro. A frontaria é a das grandes Matrizes mineiras, dividida em três corpos por cunhais e pilastras, de capitéis clássicos. A portada é bastante simples, em verga curva, com cimalha e duas pontas de volutas, entre as quais está um pequeno brasão imperial. De cada lado, como de costume, as duas janelas rasgadas ao nível do coro, com sacadas de ferro, e acima do brasão o óculo quadrilobado envidraçado. O grande entablamento, que corre ao longo do grande bloco que contém a nave, incurva-se sobre o óculo, continuando a mesma modenatura. Acima, levanta-se o frontão decorado com motivos curvilíneos, numa composição de curvas e contracurvas e duas pilastras; os elementos ornamentais são em estuque; o frontão é terminado por uma cornija reta encimada por dois coruchéus e a cruz com resplendor sobre pedestal baixo, apoiada sobre o crescente lunar, um dos símbolos da Imaculada. As duas torres prismáticas chanfreadas nos cantos contêm os sinos e são cobertas por cúpulas de alvenaria, terminadas por coruchéus. No corpo das torres, abaixo do entablamento, duas frestas alongadas iluminam, na torre do lado esquerdo, a escada de caracol e do lado direito o batistério. O longo bloco da construção, que ocupa uma área de cerca de 55,00 x 20,00m, divide-se em dois corpos: o da nave e o da capela-mor, corredores, sacristia, consistório. O primeiro é mais alto, e ambos cobertos por telhados de duas águas. Entremos agora, para contemplar o interior. A nave apresenta uma seqüência de oito altares e retábulos, além dos púlpitos e um revestimento de talha cobrindo as paredes. A entrada vê-se a pia de água benta, trabalhada em pedra-sabão; o batistério com grande pia de pedra e pintura representando o batismo de São João. O grande tapa-vento é de madeira, com tarja entalhada e vidros. O coro é suportado por colunas duplas e grande arco, fechado por grade de balaústres torneados em jacarandá, dando acesso às tribunas do corpo central (nave) em número de quatro de cada lado, em forma de sacadas fechadas por balaústres idênticos aos do coro. Há oito quadros oblongos, correspondendo aos altares. O teto é simples, com um grande lustre antigo, de cristal e mais nove menores, sendo que um pendendo da tarja situada na parte média do coro e os demais suspensos em suportes fixados na tarja de cada um dos retábulos. Há ainda outros menores, colocados no alto de cada tribuna. Quanto aos altares, no sentido da entrada: o primeiro à esquerda sob a invocação de São José com bela imagem do Santo e do Menino; a talha, como a dos outros altares, é extremamente rica, correspondendo à época de Dom João V, em pleno apogeu do barroco. O tratamento dos altares, retábulos, púlpitos, tribunas e do revestimento em geral é em branco e ouro, pintura e douramento a folha de ouro. O conjunto da talha da nave é ressaltado pelos retábulos, com a ornamentação fitomórfica, as colunas torsas, os baldaquins e sanefas, toda uma multidão de figuras de anjos, serafins.Ainda na seqüência dos altares, os seguintes são: o primeiro à direita, dedicado a Nossa Senhora da Boa Morte; é ao pé desse altar que está sepultado o Aleijadinho; o segundo altar à esquerda é dedicado a São Sebastião; o segundo altar à direita é dedicado a Nossa Senhora do Rosário; o terceiro altar à esquerda é dedicado a Santo Antônio; o terceiro à direita é dedicado a São Gonçalo; o quarto altar à esquerda é dedicado a Nossa Senhora Aparecida; o quarto altar à direita está sob a invocação das almas. O arco-cruzeiro é de cantaria, com capitel trabalhado, com frisos dourados e grande tarja entalhada, do Santíssimo Sacramento, com dois serafins. A capela-mor tem o teto ricamente moldurado e entalhado, com opulento medalhão central, no qual se desenvolve uma multidão de motivos ornamentais, entre os quais os feixes de trigo (o pão) e os túrgidos cachos de uva (o vinho), os símbolos da Eucaristia. Ao medalhão central associam-se os quatro evangelistas, obra de artista anônimo e nos quatro cantos extremos os Doutores da Igreja igualmente enquadrados em molduras trabalhadíssimas. As paredes da capela-mor são revestidas de talha e abertas de cada lado em três tribunas com balaustradas de jacarandá. O altar-mor é uma peça capital, tendo de cada lado do camarim os dois grandes nichos, encimados por três serafins acima dos seis esculpidos. As colunas torsas dos lados são enriquecidas com as "torsades" florais em ouro sobre o branco. O grande nicho contém o trono, em quatro ou cinco degraus móveis. Nesse pedestal de glória assenta-se a magnífica imagem de Nossa Senhora da Conceição, de tamanho natural, com coroa de prata e resplendor com 12 estrelas e uma pedra preciosa em cada. Nos nichos laterais as imagens de São João Nepomuceno, o mártir da Boêmia, assassinado pelo rei Vacslav IV no século XIV e que só foi canonizado no século XVIII por iniciativa dos jesuítas; e também a imagem de Santa Bárbara, a antiga mártir do século III, que, obrigada pelo cônsul Marciano a sair nua pelas ruas rogou a nação: "Senhor, Vós que cobris os céus de nuvens..." protetora das borrascas, das trovoadas, mas também padroeira dos pedreiros, dos artilheiros e dos mineiros. A tarja que encima o trono representa a Arca de Noé e a pomba da Paz, ladeada por dois serafins. O piso da capela-mor é um soalho de campas, e é relativamente recente a instalação de um pequeno museu, reunindo obras e peças relativas ao Aleijadinho, em local secundário da igreja. Em conclusão: a plenitude do barroco setecentista dá-nos talvez uma sensação de forças contraditórias, na grande e poderosa ilusão do Barroco. Lourival Gomes Machado, que escreveu páginas magistrais sobre o Barroco Mineiro, falou longamente sobre a igreja de Antônio Dias, exemplar de eleição disse: "Só se chega ao barroco mergulhando nele, ou melhor, deixando que ele submerja o espectador".

Chafarizes
No período colonial o abastecimento de água sempre foi um problema, principalmente nas cidades mais importantes. Em regiões de serra como Minas, havia grande abundância de nascentes, de "olhos d'água" o que dava em algumas residências a facilidade do abastecimento doméstico. Mas, de modo geral, os governantes se preocuparam com o abastecimento público. Daí as fontes públicas, ou chafarizes, onde se vinham abastecer os escravos, com vasilhame que carregavam sobre as cabeças, segundo a antiga tradição portuguesa medieval: a água, canalizada para uma construção, distribuída por bicas ou carrancas, jorrando noite e dia e recolhidas num tanque. Serviam também como bebedouro de animais. Essas construções consistiam, geralmente, em composição arquitetônica, ao sabor da imaginação dos construtores, executadas em alvenaria de pedra, e por vezes assumindo proporções consideráveis. Eram localizadas nos pontos de maior aglomeração, dentro do espírito barroco da época. As cidades coloniais possuíam numerosos monumentos para esse fim, uma vez que não existia canalizações urbanas, nem para água nem para esgotos. O problema dos dejetos domésticos era resolvido pelos escravos, transportando na cabeça os barris ou "tigres", levados a despejar em sítios afastados. Voltando aos chafarizes, a água chegava a eles canalizada dos mananciais ora em telhas ajustadas, ora em alcatruzes, ou sejam, manilhas em pedra-sabão. Havia, ao todo, 18 chafarizes em Ouro Preto.
Chafariz da BarraChafariz da ColunaChafariz da Igreja de Antônio DiasChafariz da Praça TiradentesChafariz da Rua Barão de Ouro BrancoChafariz da Rua da GlóriaCahfariz da Rua das CabeçasChafariz da Rua das FloresChafariz das Águas FérreasChafariz das LagesChafariz do Alto das CabeçasChafariz do Alto da CruzChafariz do Largo de MaríliaChafariz do Largo Frei Vicente BotelhoChafariz do Passo de Antônio DiasChafariz do PilarChafariz do RosárioChafariz dos Contos


Pontes
A cidade de Ouro Preto está assentada nos contrafortes da vertente ocidental da Serra do Espinhaço, dominada pelo pico do Itacolomi. O recorte caprichoso e tumultuado das montanhas, combinado com uma topografia essencialmente "barroca", com largas ondulações, das quais emerge aqui e ali uma colina, propícia para pôr em destaque os monumentos, isolados ou em grupos. As encostas abrem-se em vincos profundos abertos na rocha colorida, cujos tons de ocre, rosa e cinza rasgam-se de sombras, interrompem-se com o verde gríseo da vegetação rasteira dominadas pelo azul do céu. É toda uma sinfonia cromática em tom menor, feita de melancolia e soberba. A cidade ocupa o fundo de quatro grandes vales, ligados por nove grandes pontes, que estabelecem ligação entre ruas íngremes e ondulantes, esposando a topografia acidentada. Lembra as cidades do norte de Portugal, presas ao solo, vinculadas a ele e beirando sempre a água. Os rios serpeiam pelo vale, em curvas caprichosas. Outras onze pontes menores interligam o conjunto geral urbano. Os primitivos grupos de povoação foram descendo em direção aos rios, onde se ia batear o outro. Uma cruz ergue-se, via de regra, no meio das pontes e, em maio, um coro de devotos organiza o Ofício, da Santa Cruz, seguido de festas, com música, iluminação, fogos de artifício e... muito amendoim. Como participam do festejo os vendedores dos grãozinhos torrados, os estudantes, irreverentes, deram-lhe o nome de Festa do Amendoim. Essa tradição, pouco a pouco vai desaparecendo. O local escolhido é a ponte de Antônio Dias e a data habitual é 3 de maio. As pontes de Ouro Preto foram solidamente construídas por homens que traziam de Portugal as velhas tradições do "pontifix" romano. Os grandes arcos de alvenaria de pedra cuidadosamente argamassada e impermeabilizada com breu, galgam o vinco profundo de rios e torrentes, permitindo a livre circulação por toda a cidade. Sempre elevadas, essas pontes são protegidas contra as cheias e assentadas em sólidos e profundos alicerces. São também sítio de repouso, devaneio e namoro, providas de bancos e, como geralmente dominam um vale, entre construções, fornecem aos artistas um local panorâmico, propício a plantar o cavalete, ao turista para fazer uma fotografia, ao poeta para debruçar-se e sonhar ao marulho das águas, o que nem sempre é possível, pois o rio secou.
Ponte da BarraPonte do Antônio DiasPonte do FunilPonte do Padre FariaPonte do Palácio VelhoPonte do PilarPonte do RosárioPonte dos ContosPonte Seca

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ouro Preto

Well having got back to the warmth of Bahia, it wraps you in a cuddle that is always welcoming, even more after a being in Europe. The sun in Europe is some what different, it is far more a side effect, like as though the door to another world as opened slightly and the sun from the other side is only welcomed for a short time before the wind slams the door shut. Three weeks back and with a longing to see Graça I have caught a plane to Belo Horizonte and then the bus to Ouro Preto, arriving here in Ouro Preto last Sunday evening. I had been told by Graça that it can been cold in the South, indeed when we have sat at the computer and used the MSN video connection, me being in Scotland, Graça had seemed to be in more clothes than myself, I would comment that it could not be too cold as the temperature in Edinburgh was at 5 degrees and in Belo Horizonte it appeared to be 12 degrees, well I think it is probably 14 degrees at the moment but seems very chilly, grey clouds envelope the tiny city, the rain from last night is still apparent with the cobbles staying wet for ages, what with the steep slopes of the narrow roads, all random stone cobbles that are quite difficult to walk on when dry and certainly far more treacherous when wet.
I have spent much of the last week walking round every part of the city, not every road and alley, getting accustomed to its style and the way that it was created, this part I have yet to discover since I know a brief history and would like now to find out far more detail of its creation and growth. The city is probably an example in micro of what Brazil is, one adaption of religion to a forrested enviroment, what ever the origional reason was for discovering another place, like the idea of the Moon as some sub station of the Earth, over spill for an over crowded planet, or the need for more gems to trade from a source undiscovered and not yet robbed. a desire to enrich your country by denuding another, what ever! it seems clear that upon arriving there was always a religious wave that followed, a need to polute the pure with a malformed concept!!!

This following had within its midst a group of artisans with a far more acceptable religious desire, that of portraying their faith with icons and not trying to modify the lives of others directly, there came here some dedicated stone masons and artists, keen possibly to have expression far more liberal than than could have had in Portugal, far from the competion of other craftsmen and able to show off an individual approach, I do not know what could have been in their minds and have not had the opportunity to have read any letters from these early travellers but would imagine that they would only travel to another world if the desire was great and compelling, voyages in the past where clearly hazardous and mighty uncomfortable, the inicial construction of a city is likewise, the lack of farming and materials would be difficult in Portugal and so much more difficult in the jungle forrests interior of Brazil.

Graça´s course work involves part of the time in visiting the various churches, monuments, fountains and buildings in general, one of these day excursions was last Saturday, she had spent the morning with her fellows and tutor, Alex, walking around several of the churches and discourse over the style of Rococo ( the style of elegance and the Royal court in France, Austria and Germany around the middle of the 18th century) and Baroque ( a style from Italy that was more to do with excess and diversion of discipline, the use of asymmetrical forms to break the calm of vision and inject a sense of discord). After lunch I joined Graça and her team as they continued their walk, it was a chance too for me to see inside the churches without the constant dipping into my pocket for entrance money as well as hearing the oppinion of Alex, a Brazilian born and bred in the area and clearly appreciative of the culture that as been left him.

Ouro Preto has several local heros, Xavier Silva, nicknamed Tiradente for his part time trade as a dentist and possibly he was a bit limited in experience and therefore took teeth out and not conserved any, however he was a staunch supporter for independence of Portugal, seeing the monarchy as misusing Brazil and its natives for the glory of Europe and not assisting the natural growth of the new world, the taxes had increased on the local inhabitants and this was very apparent in Ouro Preto because of the gold that had been discovered here, leading to many miners using the church as a means of laundering the gold that they found and this allowing the church too have wealth for construction and expansion. Xavier was brought to justice of the King, beheaded and quartered, his head put on a pole in Rio de Janeiro and his followers ( he deciding to take full responsibility for the anti Portuguese up rising) where exiled.
Antonio Francisco Lisboa, nicknamed Aleijadinho because of his sickness and deformated that appeared in his later life, was the son of a Portuguese mason and black slave, Antonia Maria, he trained as a carpentor and worked with his father on the construction of the new Baroque churches in Ouro Preto, it seems that he may well have had the rare disease called porfiria, a desease that manifests itself with exposure to sun light, provoking liasons and dark red marks, ulceracions, scars, deformations and in rare cases actual mutilations of the body. One factor of interest with Aleijadinho is that this desease appeared when he was into his 40´s and it is notable that the desease can be triggered by excess of alcohol, heavy drinking can trigger the desease and it may well be the case for Aleijadinho. This desease left him with deformed hands and feet, pain that was directly related to the exposure to sun light, so he began to work at night or in shaded areas. It may well have been the death of his parents along with the onset of this desease that led him to put a huge effort into his work and tranport it to a high art that is considered one of the most important periods of Brazils history. He worked with his hands bound and strapped to them were the chisels and pencils for him to sculpture the wood or soap stone figures and motifs. Trully a task that required some high devotion and it is this that, with his native freedom, comes forward in his scultures and designs within and outside the churches. Perhaps he felt some desire to appeal to his God for relief by the force of his art, who can know when all that exsists are the results of his labour and not the diaries of his thoughts.



quinta-feira, 20 de novembro de 2008










Gourmet
Pela porta da cozinha
por André Sender e Gabriel Rocha Gaspar
Negros fundaram a base da culinária tipicamente brasileira, mingau, pamonha, canjica, mocotós, vatapá, caruru, acaçá. O que tudo isso tem em comum, além do fato de serem comidas tipicamente brasileiras?
Todas nasceram em mãos negras, na cozinhas da casas grandes. São pratos fáceis de comer, que dosaram a força e o exotismo dos temperos africanos para gostos portugueses. São misturas que resumem nossa pluralidade cultural ao condensar ingredientes e técnicas africanas, indígenas e européias.Durante três séculos, toda a comida da sociedade brasileira – majoritariamente agrária – passou por mãos negras.
Escravos (mulheres e homens menos aptos ao trabalho no campo) comandavam as cozinhas coloniais, inventando pratos, adicionando novos temperos e adaptando ingredientes indígenas e africanos ao paladar do “nhonhô” português.













Casa grande: palco da criatividade gastronômica negraComo disse Gilberto Freyre, “a negra fez com a comida o mesmo que fez com a língua”. Se em gargantas negras, Marias Antônias viraram Tontons e Marias Josés viraram Zezés, nas mesas da Casa Grande a comida ficou mais fácil, mais maleável. “A negra foi um intermediador muito forte das rupturas na cozinha da colônia”, conta a coordenadora do Núcleo de Estudos Freyrianos da Fundação Gilberto Freyre, Fátima Quintas. Por exemplo, foi ela que fez a ponte entre a mandioca nativa e o paladar português, acostumado ao pão de trigo. Para aliviar o sacrifício gastronômico do lusitano, criou-se o beiju de tapioca, entre outras mimeses do pão europeu.
Ainda hoje, a forte comida de origem africana pede adaptações para sobreviver ao gosto de novos consumidores. Luisa Inês Saliba, dona do restaurante Rota do Acarajé, em São Paulo, conta que pessoas do mundo inteiro vêm atrás da iguaria. “A gente adapta [o acarajé] a um paladar mais suave, principalmente no dendê e no tempero com coentro, que são coisas que chegam a assustar os visitantes na Bahia”. Muito por causa desta necessidade de mudar, Luisa é uma criadora de pratos inveterada. “Quando se trata de culinária, sou uma workaholic. Mesclo todas as influências, como de tudo, bebo de tudo, sou ‘pesquisadeira’. Mas um ou outro ingrediente [tipicamente baiano] sempre rege a criação”. Exatamente como faziam as negras das cozinhas coloniais – adaptavam a todos os gostos, mantendo a África como fio condutor. Nos séculos de escravidão, a cozinha era o espaço de uma convivência mais harmoniosa dentro da estrutura profundamente opressora do regime vigente. “Por uma necessidade de ter com quem conversar, as mulheres [brancas] da casa iam para a cozinha”, conta Fátima. Essa pseudo-liberdade do negro fora do campo, aliada aos momentos de ócio que o trabalho de casa propiciava, foi responsável pelo surgimento de pratos complexos. “As horas vagas e a quantidade de pessoas para servir permitiram que os doces, principalmente, demorassem uma tarde inteira, por exemplo, para ser feitos”. Este cenário, aliado à monocultura da cana, propiciou uma doçaria complicada, que inclui manjares, bolos e tortas.
Doces elaborados demandam tempo e dedicação
“A negra fazia uma cozinha de muitas horas, de muito trabalho, de arte”, diz Fátima. O esmero foi tanto que passou dos sabores para as aparências: dos pratos às toalhas de mesa. E, principalmente, nos tabuleiros – este modelo tão africano de vender comida. Na Bahia de hoje, por exemplo, as rendas são tão presentes quanto os cheiros de coentro e azeite de dendê. Os enfeites, tanto quanto a comida, são feitos com esmero e cuidado, custe o tempo que custar. Como observa Luisa Inês, “há que se respeitar a culinária, [fazê-la] com todo o carinho com que deve ser feita". Isso significa que o prato começa a ser feito no momento em que o cliente pede. "É tudo mais fresquinho", completa a chef.
Tamanho cuidado é preconceituosamente confundido com preguiça. Mas a verdade é que não há espaço para pressa na cozinha de origem afro. Fast food não bate com os tantos elementos místicos e sagrados que os negros associam à comida. No candomblé, por exemplo, até os santos comem. “A religiosidade do negro [que nutria muito menos pudores sexuais do que o cristianismo] com a sexualidade do português cunharam uma coisa muito interessante: doces com nomes sensuais”, aponta Fátima Quintas. “A casa grande era altamente sexualizada, com um cristianismo muito prosaico, lírico”. A comida era mais um estímulo sensorial, quase sensual. Por isso, doces criados na casa grande têm nomes eróticos como baba-de-moça, suspiro, sonho, teta-de-nega... A mão que mexeu o caldo da formação culinária (e, conseqüentemente, cultural) brasileira foi negra. Por mais que as mestiçagens acontecessem por todos os lados – como é praxe no Brasil –, no final, foram os negros que meteram a mão na massa. Por isso, tudo o que o brasileiro típico come hoje, desde o arroz com feijão mais básico até a mais elaborada paella, tem um resquício das mentes criativas da senzala, que uniram o paladar europeu às tradições indígenas e africanas. Formou-se uma gastronomia leve e densa, simples e sofisticada, forte e sutil. Um paradoxo de sabores e influências, tão diverso quanto o Brasil.